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A CASA DE MEMÓRIAS NHÁ TOTA convida você a uma fascinante viagem ao passado. O acervo, enriquecido por peças, fotos, documentos, ferramentas e objetos doados por amigos e colaboradores, imortaliza o passado com a história daqueles que ajudaram a erguer o presente.

Casa de Memórias

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Ivo Carlos Arnt: manias, coleções e memórias de um médico preocupado com a história e a natureza

A vida de Ivo Carlos Arnt não foi marcada apenas por uma única carreira. Ele foi médico, professor, produtor rural, administrador de um hotel ecológico, idealizador e mantenedor de uma casa de memórias. Sempre muito ligado à família e às histórias dela, queria registrar tudo. Em todas as festas, Ivo era o fotógrafo e cinegrafista oficial. Seu equipamento não era profissional, mas estava com ele em todas as oportunidades. As gravações só eram mostradas para a família tempos depois de feitas, para que todos relembrassem daqueles momentos felizes. Gostava também de se debruçar nas pesquisas sobre as suas origens. Descobriu registros e histórias que estavam quase se perdendo no tempo.

Conheceu a esposa, Regina, em meados dos anos 1950. O primeiro encontro foi durante um baile em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, e, desde então, nunca mais se separaram. Casaram-se em 1961, depois de alguns anos de namoro. Tiveram dois filhos, Ivo Carlos e Lúcia Regina, além de cinco netos. Muito presente na vida de todos, Ivo gostava de participar, saber de tudo e, quando necessário, aconselhar. André, Nilo, Carlos, Rodrigo e Inara, seus cinco netos, tornaram-se suas grandes paixões.

O conhecimento da memória da família fazia com que fosse um grande contador de histórias. Seu avô, Carlos Herrmann, era o centro de muitas delas. Contava sempre da preocupação dele com ventos frios e os problemas que poderiam causar. Por onde passava, repetia a frase do avô: preferia um inimigo pela frente do que um vento pelas costas. A preocupação virou uma das manias de Ivo. Ao chegar aos lugares, ia logo fechando todas as portas e janelas.

Durante a vida cultivou outras tantas manias. Uma delas era com seus carros, pois as placas dos automóveis tinham de conter números que somassem ou fossem múltiplos de sete. Era também um grande colecionador. Ivo tinha um pouco de tudo em sua casa: selos, canetas, cartões-postais, moedas e muitos outros objetos.

Era também um orquidófilo e mantinha um jardim de inverno com os mais variados tipos da planta. O hábito de cultivar as orquídeas também veio de família; ele repetia sempre a frase de sua tia, Carolina Herrmann: só estava feliz entre as flores.

Natural de Porto Alegre (RS), chegou a Curitiba com 28 anos, já formado em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Aqui se especializou em ginecologia e pode se tornar doutor em sua área pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), na qual se tornou professor de tocoginecologia e de reprodução humana. Deu aulas também na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Ainda participou ativamente de conselhos, sociedade e instituições médicas.

Ivo nunca gostou de ficar parado. Após a aposentadoria da medicina e da educação, passou a se dedicar ao campo. Virou produtor rural na região de Tibagi, nos Campos Gerais, e ficou conhecido por ser um dos únicos produtores brasileiros do gado Pinzgauer, raça austríaca. Dedicou-se também à silvicultura, plantio de reflorestamento, sempre pensando na preservação da natureza, outra de suas paixões.

Com a filha Lúcia, ele assumiu o controle do projeto Itáytiba Ecoturismo, um grande complexo de turismo ecológico e rural localizado entre o Rio Iapó e o Canyon Guartelá. De todo o projeto, seu grande xodó era a “Casa de Memórias Nhá Tota”, idealizada e mantida por ele. O espaço fica dentro do Parque Vô Ivo, nomeado em sua homenagem, e se tornou uma espécie de museu para preservar a história da região. O acervo de mais de 10 mil peças foi formado em grande parte por suas próprias coleções.

Ivo tinha uma grande paixão pela escrita. Desde muito jovem, escrevia um pouco de tudo. Começou com as homenagens aos familiares e amigos e passou a fazer centenas de publicações científicas em revistas. Escreveu também diversos livros sobre a medicina e a família.

Aos 79 anos, já tinha alguns problemas no coração, mas não costumava se queixar das doenças. Sofreu um ataque cardíaco, que resultou em uma embolia pulmonar, em 28 de junho. Deixa a esposa, dois filhos e cinco netos.

Dia 28 de junho, aos 79 anos, de complicações cardiorrespiratórias, em Curitiba.

Colaborou: Getulio Xavier.

Fonte: Gazeta do Povo